RESSONÂNCIA MÓRFICA – A TEORIA DO CENTÉSIMO MACACO

Publicado por Paula Bissoli em

Centésimo Macaco é o nome atribuído a uma história que surgiu nos últimos 20 anos, apesar de não estar claro onde terminam os fatos e começam as metáforas a história é contada de formas diferentes e já é tema literário.  A história se baseia em observações científicas sobre colônias de macacos no Japão. A versão mais amplamente difundida foi escrita por Ken Keyes Jr. que aqui se apresenta, em forma condensada e parafraseada:

Ao longo da costa do Japão, os cientistas estudam colônias de macacos habitantes de ilhas isoladas, há mais de trinta anos. Para poder manter o registro dos macacos, eles colocavam batatas doces na praia, para que os animas as comessem. Os macacos saíam das árvores para pegar as batatas e, assim, expunham-se e podiam ser observados com total visibilidade. Um dia, uma macaca de 18 meses chamada Imo começou a lavar a sua batata no mar, antes de comê-la. Podemos imaginar que seu sabor tornava-se assim mais agradável, pois o tubérculo estava livre da areia e do cascalho e, talvez, ligeiramente temperado de sal.

Imo mostrou aos outros macacos de sua idade e à sua mãe como fazer aquilo; os animais jovens mostraram às próprias mães e, aos poucos, mais e mais macacos passaram a lavar as batatas em vez de comê-las com areia e tudo. Aos olhos dos cientistas, essa inovação cultural foi gradualmente assimilada por vários macacos. Entre 1952 e 1958 todos os macacos jovens aprenderam a lavar a areia das batatas-doces para torná-las mais gostosas. Só os adultos que imitaram os filhos aprenderam este avanço social. Outros adultos continuaram comendo batata-doce com areia. Foi então que aconteceu uma coisa surpreendente. 

No outono de 1958, na ilha de Kochima, alguns macacos – não se sabe ao certo quantos – lavavam suas batatas-doces. Vamos supor que, um dia, ao nascer do sol, noventa e nove macacos da ilha de Kochima já tivessem aprendido a lavar as batatas-doces. Vamos continuar supondo que, ainda nessa manhã, um centésimo macaco tivesse feito uso dessa prática. Então aconteceu! Nessa tarde, quase todo o bando já lavava as batatas-doces antes de comer. O acréscimo de energia desse centésimo macaco rompeu, de alguma forma, uma barreira ideológica!
Embora isso fosse significativo, vejam só: Os cientistas observaram uma coisa deveras surpreendente – o hábito de lavar as batatas-doces havia atravessado o mar. Bandos de macacos de outras ilhas, também começaram a lavar suas batatas-doces. Assim, quando um certo número crítico atinge a consciência, essa nova consciência pode ser comunicada de uma mente a outra, mesmo que as colônias de macacos das outras ilhas não tivessem tido contato direto com a primeira.
Ali estava uma validação para a teoria do campo morfogenético: era possível explicar dessa maneira o que acontecera. O “centésimo macaco”  foi o hipotético e anônimo macaco que virou o jogo para a cultura como um todo: aquele cuja mudança de comportamento assinalou ter sido alcançado o número crítico de macacos que modificaram sua conduta, e após o qual todos os animais de todas as ilhas passaram a lavar as suas batatas.
O número exato pode variar, mas o Fenômeno do Centésimo Macaco significa que, quando só um número limitado de pessoas conhece um caminho novo, ele permanece como patrimônio da consciência dessas pessoas. Mas há um ponto em que, se mais uma pessoa se sintoniza com a nova percepção, o campo se alarga de modo que essa percepção é captada por quase todos. Você pode ser o centésimo macaco! Essa experiência nos proporciona uma reflexão sobre a direção de nossos pensamentos. 
De certo modo, já sabemos que para onde vai o nosso pensamento segue a nossa energia. Grupos pensando e agindo numa mesma frequência em várias partes do Planeta têm as mesmas sensações e acabam fazendo as mesmas coisas sem nunca terem se comunicado. Isso vale tanto para aqueles que praticam o bem como para aqueles que usam de suas faculdades para o mal. 
O acréscimo de energia, neste caso, pode ser aquela que você está enviando com o seu pensamento sintonizado na frequência do crime noticiado que gera comoção geral. Você já percebeu que parece coincidência, mas sempre que um crime choca e comove multidões, de imediato outros fatos semelhantes pipocam em diversos lugares? Será isso o efeito do centésimo macaco às avessas? Sabendo disso, ao invés de indignar-se diante do crime noticiado, direcionando inconscientemente seu pensamento e sua energia para essa frequência vibracional negativa, neutralize-se através de pensamentos conscientes de amor e perdão. Mude de canal na TV, saia da frequência e não alimente ainda mais a insanidade daqueles que tendem para o crime, e também, daqueles que lucram com as desgraças alheias. 
O Centésimo Macaco é a declaração que reafirma o compromisso de trabalhar por coisas evolutivas e que representem progresso. Nos tempos modernos esse exemplo oferece esperança às pessoas que trabalham para operar mudanças positivas em si mesmas e tambem para de alguma forma salvar o planeta ou pelo menos tentar torna-lo um lugar melhor. 
A hipótese dos “campos mórficos”, proposta pelo biólogo inglês Rupert Sheldrake,  oferece uma explicação para as mudanças que acontecem numa espécie por meio de atos de indivíduos que, em determinada fase, começam a fazer uma coisa nova. 
Segundo o cientista, os campos mórficos são estruturas que se estendem no espaço-tempo e moldam a forma e o comportamento de todos os sistemas do mundo material. Átomos, moléculas, cristais, organelas, células, tecidos, órgãos, organismos, sociedades, ecossistemas, sistemas planetários, sistemas solares, galáxias: cada frequencia associada a um campo mórfico específico. 
São eles que fazem com que um sistema seja um sistema, isto é, uma totalidade articulada e não um mero ajuntamento de partes. Quanto mais aumentar o número das pessoas que se comportam de determinada maneira diferente, mais se tornará fácil que tantas outras pessoas ajam da mesma forma até que, um belo dia, alguém será o anônimo centésimo macaco. 
Segundo Sheldrake, as pessoas sintonizam sua atenção no novo padrão, dentro do campo mórfico, pela ressonância mórfica, e são atingidas por ele, o que explica por que as mudanças vão se tornando cada vez mais fáceis. Em determinado ponto, alcança-se o número certo de indivíduos para que haja a inversão no equilíbrio de forças: nasceu um novo arquétipo no inconsciente coletivo.
O próprio Sheldrake igualou as duas idéias:
“A abordagem que defendo é muito semelhante à noção junguiana de inconsciente coletivo. A principal diferença é que a ideia de Jung era basicamente aplicada à experiência humana. O que sugiro é que um princípio muito semelhante atua em todas as partes do universo, não só no reino humano.”
O Centésimo Macaco é também uma metáfora que se desenrola dentro da psique individual. No mundo interno, fazer é tornar-se: se repetimos vezes suficientes um comportamento motivado por uma atitude ou princípio, ao final de um tempo terminaremos tornando-nos o que fazemos. Da mesma forma, quando repetimos mentalmente várias vezes o alcance de um objetivo especifico, mais fácil será alcança-lo, padrão esse semelhante ao relatos do livro  “O Segredo”.
Anote
Site na internet:  www.sheldrake.org
Livros em português:
O Renascimento da Natureza: o Reflorescimento da Ciência e de Deus, de Rupert Sheldrake, Ed. Cultrix
Caos, Criatividade e o Retorno do Sagrado: Triálogos nas Fronteiras do Ocidente, de Ralph Abraham, Terence McKenna e Rupert Sheldrake, Ed. Cultrix/Pensamento
Livros em inglês:
A New Science of Life: the Hipothesis of Morphic Resonance, de Rupert Sheldrake
The Presence of the Past: Morphic Resonance and the Habits of Nature, de Rupert Sheldrake
Natural Grace: Dialogues on Creation, Darkness and the Soul in Spirituality and Science, de Matthew Fox e Rupert Sheldrake
The Physics of Angels: Exploring the Realm where Science and Spirit Meet, de Matthew Fox e Rupert Sheldrake
Seven Experiments that Could Change the World: a Do-It-Yourself Guide to Revolutionary Science, de Rupert Sheldrake

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